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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Existe “vida matemática” no berçário?

            Quando pensamos em Matemática, logo imaginamos que ela só é possível de acontecer quando as crianças já são capazes de contar, enumerar, realizar operações, reconhecer números, enfim, desenvolver as habilidades que nós, adultos, já conseguimos realizar. Mas o trabalho com a Matemática vai muito além disso, e começa bem antes da fase da escolaridade propriamente dita.
Ainda que não percebam, os bebês já estão em contato com a Matemática em seu dia-a-dia, e isto ocorre quando exploram seus brinquedos, quando interagem com as pessoas, quando manipulam objetos, quando selecionam, organizam e até classificam diversos materiais. Este é o princípio do desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático.    
A plasticidade cerebral de um bebê é realmente fascinante. Em três anos a rede neuronal da criança aumenta em pelo menos 90%, é o que afirmam os cientistas e estudiosos da área da neurologia. Isto significa que desde a tenra idade as crianças têm a possibilidade de se desenvolverem cognitivamente em um ritmo acelerado e nós- adultos, educadores- devemos ofertar-lhes experiências ricas de aprendizagem.
Em se tratando do desenvolvimento da inteligência lógico-matemática, algumas situações didáticas podem ser pensadas no intuito de favorecer a ampliação deste conhecimento. Mas como desenvolver tais situações com bebês?  Na Creche Escola Primeiros Passos, uma atividade bastante interessante acontece diariamente no berçário: a organização da estante de sapatos. Os adultos não entram calçados a fim de manter a higienização do ambiente e os bebês e crianças também retiram (com o apoio de um adulto) seus calçados e os colocam na estante. Nestes momentos geralmente acontecem situações-problema do tipo: como arrumar os sapatos para que caibam no espaço? Alguns bebês maiores (os que já andam e tem maior autonomia motora) experimentam a organização de diversas formas. Após explorarem à sua maneira e se “frustrarem” diante de algumas tentativas sem sucesso, entra o papel mediador do adulto de referência para “ensinar matemática”.  É o momento em que são mostradas às crianças as possibilidades de organização, de acordo com tamanho e formas dos calçados. Os desafios surgem a cada dia e novas possibilidades de organização também: cores, posição, encaixe etc.
Panizza (2006, p.19), educadora argentina e professora de Didática da Matemática traz luz a uma importante reflexão: “não é possível tratar o tema da aprendizagem e o ensino da Matemática sem se referir seriamente à questão do sentido”.  Para os bebês e crianças pequenas, as aprendizagens estão ligadas diretamente ao que faz sentido para elas, por isso, as explorarem os brinquedos, vivenciarem situações interessantes no seu cotidiano, terem contato com objetos e materiais ricos e principalmente na interação com o outro, elas vão enriquecendo seu repertório de conhecimentos.
 Assim, sabemos que a Matemática não se reduz ao ensino dos números e da contagem, ela está presente em várias situações e os bebês utilizam-na sempre: quando precisam “medir” a distância entre seu corpo e a de um brinquedo para alcançá-lo, quando tentam encaixar blocos, quando tentam pegar ou levantar um objeto pesado e não conseguem, enfim, ao experimentar e explorar materiais de diversos tamanhos, pesos, cores e formas elas estão “fazendo matemática”. São os olhares “adultos” que, na verdade, vão fazer a diferença ao possibilitar à criança explorar ou não tais oportunidades de aprendizagem.
 
Texto produzido por: Raphaela Dany Freitas Silveira Gonçalves
REFERÊNCIA:
PANIZZA, M. (org.). Ensinar matemática na educação infantil e séries iniciais: análise e propostas. Tradução: Antonio Feltrin. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006.

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